sábado, maio 05, 2007

Dia da mãe

Recordando um pouco da história do dia da Mãe, desde a longínqua festa da mitologia grega em honra de Rhea, a mãe dos deuses, celebrada à chegada da Primavera, passando história do dia da Mãe, desde a longínqua festa da mitologia grega pelo “Mothering Day” no século XVII, em que as operárias inglesas tinham folga para visitar as suas mães e as acarinharem no 4º Domº- da Quaresma, até ao tempo da americana Anne Jarvis, que ajudada pelas suas amigas a superar uma enorme depressão pela perda da sua mãe, resolve criar em 1905 uma festa em honra de todas as mães, conseguindo que o próprio Presidente Wilson a institua no 2º- domingo de Maio em 1914, assim chegamos aos nossos dias, em que ainda há pouco tempo celebrávamos o Dia da Mãe juntamente com a festa da Imaculada Conceição de Maria, Mãe de Jesus, a 8 de Dezembro, e actualmente se passou a celebrar no 1º Domingo de Maio.

Embora hoje ofereçamos flores diversas às nossa Mães neste dia, foi também Anne Jarvis quem sugeriu o cravo branco como a flor - símbolo do amor maternal e das suas virtudes: a entrega abnegada, a resistência, fidelidade e pureza.

Neste Domingo, certamente, uma vez mais, cada um recordará e homenageará a sua Mãe como puder, como quiser e como souber.

Recordemos:
As Mães mais esquecidas e abandonadas, as mais carentes, idosas e doentes,

Mas também as Mães de todas as idades,

As sempre sorridentes, apesar de angustiadas,

As sempre disponíveis, apesar de cansadas,

As mais generosas, apesar de carenciadas,

E as que sempre perdoam, apesar de envergonhadas e maltratadas.


A elas dedico o belíssimo poema de Almada Negreiros:

Mãe! Vem ouvir a minha cabeça a contar histórias ricas que ainda não viajei!
Traz tinta encarnada para escrever estas coisas!
Tinta cor de sangue verdadeiro, encarnado!
Eu ainda não fiz viagens
E a minha cabeça não se lembra senão de viagens!
Eu vou viajar.
Tenho sede! Eu prometo saber viajar.
Quando voltar é para subir os degraus da tua casa, um por um.
Eu vou aprender de cor os degraus da nossa casa.
Depois venho sentar-me a teu lado.
Tu a coseres e eu a contar-te as minhas viagens, aquelas que eu viajei, tão parecidas com as que não viajei, escritas ambas com as mesmas palavras.

Mãe! Ata as tuas mãos às minhas e dá um nó-cego muito apertado!
Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa.
Eu também quero ter um feitio, um feitio que sirva exatamente para a nossa casa, como a mesa. Como a mesa.

Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!
Quando passas a tua mão na minha cabeça é tudo tão verdade!

quarta-feira, maio 02, 2007

HORÁRIOS

Dia 05 (Sábado) - Celebração da Palavra - 20.30 h

segunda-feira, abril 30, 2007

Ontem, mais de 2000 pessoas, participaram na VIII Jornada Eucaristica Arciprestal


É já uma tradição, uma boa tradição!
Começou há 8 anos e continua com a mesma força, o mesmo entusiasmo... poderíamos pensar que, com o decorrer do tempo, as pessoas deixariam de acorrer... mas a multidão que, ontem esteve presente, prova o contrário. Valeu a pena, e, por isso mesmo, estão todos de parabéns. Estiveram presentes pessoas das 22 paróquais do concelho.

Uma só Eucaristia para todo o concelho, uma só família, todos à volta do mesmo altar...

É com esta e com outras actividades de conjunto a nível arciprestal (o crisma, preparação para o sacramento do Baptismo, catequese no Centro Pastoral D. João de Oliveira Matos de todos os alunos do 5º e 6º ano) que queremos ajudar os cristãos de Celorico da Beira a compreender, a aceitar e a empreender a renovação e as mudanças que se impõem. Não basta falar teoricamente na necessidade das novas unidades pastorais. É necessário estar convencido e não ter medo de dar passos concretos...

O Pe. Martins, no ano em que celebrou as bodas de prata sacerdotais, deixou-nos uma proposta de mudança na vida e acção pastoral das comunidades cristãs, sobretudo no mundo rural: "MENOS PADRES, CRISTÃOS MAIS COMPROMETIDOS E NOVAS UNIDADES PASTORAIS". É necessário e urgente encontrar novos pólos de dinamização da acção pastoral e da vida cristã.

No final da Eucaristia, não se esqueceu de referir a sua longa experiência de viva em comunidade. Apesar dos contratempos, é já uma experiência que dura há 20 anos!!! Viveu 6 anos na comunidade de S. Miguel da Guarda e vive há 14 anos na comunidade de Celorico da Beira.
Todos nós concordamos que a vida em comunidade é um passo importante para a criação de uma unidade pastoral...

sexta-feira, abril 27, 2007

Novas Unidades Pastorais (III Capítulo do livro do Pe. Martins)

Uma exigência da realidade

Tendo presente, por um lado, o que é a paróquia, a missão da Igreja que nela se deve concretizar e os diferentes serviços e ministérios que essa missão pressupõe, e, por outro lado, olhando para a realidade das paróquias que temos, concluímos que a maior parte destas paróquias não preenchem os requisitos eclesiais para continuarem a ser consideradas e tratadas como tal.
Na verdade, em muitas das actuais paróquias, não existem alunos nem catequistas para se poder organizar e garantir a catequese de um modo minimamente adequado e eficaz. Ao nível da liturgia, também não garantem os respectivos ministérios. E o mesmo se pode dizer em relação aos serviços da caridade. E ainda a falta de vocações de consagração. Ora, sem vocações não é possível realizar a missão da Igreja!
Tudo isto mostra e prova que estas paróquias não são verdadeiras “comunidades de fé e de ministérios”, ou seja, não são paróquias de verdade.

O que são e como funcionam.
Que resposta dar a esta situação? Como solução possível, fala-se da criação de novas unidades pastorais. E algo já está a ser feito nessa linha.
As unidades pastorais poderão resultar do conjunto de paróquias confiadas a um ou vários sacerdotes. Nalguns casos, poderão ser formadas por todo um arciprestado.
Sem que se altere, para já, o seu estatuto jurídico, estas paróquias, a nível pastoral, passarão a ser olhadas e tratadas como um todo.
Haverá um programa conjunto de acção pastoral e de vida cristã, elaborado na base da realidade das comunidades e dos agentes pastorais disponíveis nas mesmas.
Estes agentes pastorais (sacerdotes, consagrados e leigos) trabalharão, não em função das comunidades a que pertencem ou pelas quais são mais directamente responsáveis, mas em função do todo da unidade pastoral. Deste modo, aproveitar-se-ão melhor as capacidades e os carismas de cada um ao serviço de todos.
A programação, a responsabilidade pela sua execução e a subsequente avaliação caberá a uma equipa pastoral ( ou conselho pastoral). Esta terá como coordenador um sacerdote e integrará representantes dos consagrados, se os houver, e dos leigos das diferentes comunidades.
As unidades pastorais, na medida em que o forem, assegurarão a unidade de critérios pastorais em todas as comunidades cristãs que a compõem. Assim, em todas se seguirão as mesmas normas e práticas no que diz respeito à preparação dos sacramentos, aos padrinhos de baptismo, à celebração das festas, aos emolumentos pelos serviços prestados ...
Como já referimos, estas unidades pastorais, na medida em que são orientadas e animadas por um trabalho em equipa, garantem um melhor aproveitamento dos diferentes agentes pastorais. Cada um, segundo os dons recebidos e as capacidades desenvolvidas, pode dar o melhor de si mesmo em prol das várias comunidades.
Nesta linha, poderão ser distribuídas responsabilidades segundo os diversos sectores da pastoral: catequese de crianças, de jovens e de adultos, liturgia e preparação para os sacramentos, casais e família, serviços sócio-caritativos.
As unidades pastorais não vêm eliminar, sem mais, a vida cristã nas comunidades cristãs mais pequenas. Estas continuarão a ter, ainda que, muitas vezes, a um outro ritmo e com outra intensidade, a celebração dos sacramentos, as suas devoções próprias e algumas acções de formação e outros serviços.
No entanto há muitas coisas que, a nível da tríplice missão da Igreja, podem e devem ser realizadas em comum. As unidades pastorais não só pressupõem uma programação conjunta e unidade de critérios, como também reclamam que haja uma actuação conjunta.
Em concreto:

a) A nível da catequese, como já aludimos, muitas paróquias, por falta de alunos e de catequistas, já não a podem garantir. Afigura-se, pois, como urgente caminhar, conforme os casos e as possibilidades, para a criação de núcleos ou mesmo de um único centro de catequese, que sirvam algumas ou todas as comunidades da unidade pastoral. Deste modo, será mais fácil formar verdadeiros grupos de catequese e providenciar catequistas mais bem preparados para os mesmos.

b) As reuniões e a formação dos catequistas podem ser feitas em conjunto. O mesmo se diga em relação aos coros e equipas litúrgicas, bem como a outros grupos ou movimentos existentes no âmbito da unidade pastoral.
Procedendo assim, não só poupa no trabalho e no tempo quem deve orientar estas acções, como se torna mais atractivo e enriquecedor para os participantes.

c) A preparação para os sacramentos, muito concretamente para o matrimónio (os noivos) e para o baptismo (pais e padrinhos). E aqui valem as mesmas razões da alínea anterior.

d) Também ao nível dos sacramentos pode haver celebrações conjuntas para toda a unidade pastoral. Isso parece ser bastante óbvio quanto ao sacramento da Confirmação e, embora menos, em relação ao Baptismo. Na prática, já está a acontecer, com alguma frequência, a celebração conjunta do sacramento da confirmação para várias paróquias ou mesmo para todo um arciprestado.

e) Também parece lógico e mais fácil organizar os serviços da caridade a nível das unidades pastorais. Diremos mesmo que, de outro modo, não será possível pô-los a funcionar. Isto não impede, bem pelo contrário, que em cada comunidade haja alguém atento e responsável pelo que aí se passa. O conhecimento e a actuação directa são indispensáveis, para que os organismos possam cumprir bem a sua missão.

f) Uma palavra especial sobre a celebração da Eucaristia dominical. Nas presentes circunstâncias, não é possível nem se justifica celebrar a Eucaristia todos os domingos em todas as comunidades, mesmo nas sedes de paróquia.
Não é possível, porque não há sacerdotes suficientes para que tal aconteça. Convém lembrar que os sacerdotes não podem celebrar a Eucaristia quantas vezes querem ou lhe pedem. O máximo, e é com um licença especial, o sacerdote pode celebrar quatro vezes a Eucaristia no Domingo.
Ora, um sacerdote que tem seis ou mais paróquias não pode celebrar em todas todos os domingos.
Não se justifica a celebração da Eucaristia todos os domingos, em comunidades com um reduzido número de pessoas e que facilmente se podem deslocar a outra comunidade, ou em comunidades que estão muito próximas ( por vezes, a menos de 1Km!).
Parece lógico que, em tais situações, haja a celebração rotativa ou alternada nessas comunidades. Não seria justo que fossem sempre as mesmas comunidades a ficar privas da celebração da Eucaristia dominical!
Quem tem fé viva e tem meios (saúde ou transporte) não deixará de se deslocar a outra comunidade para celebrar o Domingo, participando aí na Eucaristia. Quando falta a fé, não há razões que consigam vencer o comodismo e o bairrismo das pessoas!
A Igreja não esquece os idosos, os doentes e todos aqueles que, por algum motivo razoável, não podem deslocar-se. Para esses, no domingo em que não há celebração da Eucaristia, providencia-se, como já acontece largamente, a Celebração da Palavra, ou melhor, a Celebração do Domingo na ausência do presbítero, a que já aludimos antes.

Nesta análise e reflexão, tivemos diante de nós a realidade das paróquias do mundo rural. No entanto, e como dissemos na introdução, as unidades pastorais devem também implementar-se nas áreas urbanas.
Nas cidades, as paróquias estão coladas umas às outras. Aí, as fronteiras geográficas não são visíveis, mas a separação entre as comunidades é, por vezes, muito acentuada.
Apesar da proximidade, cada paróquia, como um mundo fechado e autónomo, procura garantir tudo aos seus fiéis, ao nível do ensino, da liturgia e da caridade, preocupando-se exclusivamente com eles. E, o pior ainda, com disparidade de critérios pastorais.
É evidente e censurável “o desperdício” dos recursos humanos e dos serviços prestados, que poderiam abranger e beneficiar muitas mais pessoas!
Também nas cidades, as unidades pastorais garantirão um melhor aproveitamento dos agentes, a necessária unidade de critérios e, consequentemente, uma maior eficácia.

Vantagens das unidades pastorais
a) Um mesmo programa, a mesma orientação e os mesmos critérios tornam possível uma acção pastoral mais concertada e mais credível.
Quando se seguem critérios diferentes em paróquias vizinhas, os fiéis ficam confusos e na dúvida sobre quem tem ou não tem razão. E há sempre a tentação, sobretudo entre os cristãos menos esclarecidos e comprometidos, de dar a razão aos que “facilitam as coisas”. E isto dificulta a vida e a acção pastoral daqueles que procuram seguir as orientações e aplicar as normas da Igreja.
Se existirem e funcionarem bem as unidades pastorais, estes perigos e dificuldades serão mais facilmente evitadas ou superadas.

b) Com menos agentes pastorais e com menos trabalho, pode-se fazer mais e melhor, atingindo mais pessoas. De facto, trabalhando em conjunto, reduz-se o número de reuniões, de acções de formação e de celebrações, porque não é necessário repetir o mesmo em todas as comunidades.
Além disso, é mais fácil encontrar pessoas disponíveis para os diversos serviços e ministérios. Sendo necessários menos, é possível escolher os melhores e prepará-los mais adequadamente. São precisos menos porque, como já dissemos, eles trabalharão em função do todo da unidade pastoral e não para que tudo continue na mesma em cada comunidade.

c) Ajuda a criar uma nova consciência de pertença à Igreja e promove uma mais alargada e consistente comunhão eclesial.
E uma comunidade mais alargada e mais viva, mais dinâmica e comprometida, que vive em sintonia e sente ao ritmo da Igreja, oferecerá um ambiente mais propício ao desabrochar das vocações de consagração e das vocações laicais.

Dificuldades e exigências

a) Este modelo pastoral implica trabalho em equipa. Os sacerdotes precisam de trabalhar (programar, organizar, executar e avaliar) em comum e em comunhão com os outros sacerdotes e com os leigos, ou seja, com aqueles que constituem a equipa pastoral.
Não parece fácil, mas é necessário e urgente, vencer o individualismo e a convicção errada de que o padre é o único senhor absoluto e absolutamente sozinho das paróquias que lhe estão confiadas.
O trabalho em equipa afigura-se, cada vez mais, como uma exigência do ministério sacerdotal. Este modo de trabalhar é facilitado, quando existe entre os sacerdotes algum tipo de vida em comum.
Ora, não havendo, entre os sacerdotes, grande sensibilidade para este modo de vida, compreende-se que também não seja fácil aquele modo de trabalhar.
É necessário formar e motivar os sacerdotes, de modo a que se opere a sua conversão a estes valores. A fidelidade à missão passa certamente por aqui!

b)Temos que contar também com a resistência de muitos cristãos.
Resistem aqueles cristãos para os quais a paróquia tem sido o único mundo da sua fé, isto é, aqueles que continuam a viver a sua fé exclusivamente no âmbito das suas respectivas comunidades.
O comodismo leva-os a querer tudo nas suas paróquias. O egoísmo torna-os indiferentes às necessidades e aos direitos dos outros. Um certo bairrismo ou mesmo alguma rivalidade entre terras vizinhas leva muitos cristãos a excluir a hipótese de participar em actividades pastorais ou celebrar a fé noutras comunidades.
Importa, pois, ajudar os cristãos a compreender e a integrar-se de um modo positivo e empenhado nas novas unidades pastorais.
Teoricamente, os cristãos sabem que, pela fé e pelo baptismo, pertencem à mesma família de Deus, que é a Igreja. Na prática, impõe-se que tomem consciência disso e assumam as respectivas exigências e consequências.
Não podemos ser cristãos e não viver em comunhão com todos quantos fazem parte desta família de Deus. E esta comunhão deve traduzir-se em actos concretos, sobretudo com aqueles cristãos e aquelas comunidades que se encontram e vivem mais perto de nós.
Mais, ser cristão católico implica ter um coração universal, capaz de acolher todas as pessoas, muito mais os irmãos na fé, vencendo fronteiras e preconceitos.
Não representa qualquer tipo de desprestígio, como alguns erradamente pensam e sentem, deslocar-se a outra comunidade. Mau sinal, isso sim, é não ter fé suficiente para o fazer de boa vontade e com alegria.
Muitos cristãos continuam a olhar para o seu pároco e a fazer-lhe exigências como se este não tivesse qualquer direito nem tivesse outros deveres a cumprir.
Esquecem que o dia do padre não tem mais horas, que a sua resistência também tem limites e que há normas e leis que ele deve seguir e cumprir. Esquecem, embora o saibam perfeitamente, que o seu pároco tem outras comunidades ao seu cuidado pastoral e que estas comunidades também têm as suas necessidades e os seus direitos.
Como pastor e pai (padre significa pai), o sacerdote deve zelar e cuidar de todos os seus paroquianos. Não pode privilegiar uns em detrimento dos direitos e das necessidades dos outros.
Como pastor comum, deve ajudar os fiéis a viver em comum a sua fé e a abrirem-se aos demais. E na medida em que o próprio sacerdote trabalhar em equipa com outros sacerdotes, mais fácil se tornará empreender a abertura dos fiéis a outras comunidades cristãs.
Que pensaríamos de um pai que, tendo muitos filhos e pouco pão, em vez de o distribuir por todos, o desse apenas a alguns, deixando morrer os outros à fome? Não parece mais justo e mais sensato que, na expectativa de melhores dias, atenda e cuide de todos, dentro do que lhe é possível, para que todos os filhos possam sobreviver? E os filhos, na medida em que se amam como verdadeiros irmãos, não poderão deixar de estar de acordo com a segunda hipótese.
Dentro desta perspectiva deve situar-se a actuação e a atitude do sacerdote e dos fiéis. O pároco, na fidelidade à sua missão, deve gerir o seu tempo em função do que é mais importante e das reais necessidades de todos os seus paroquianos. Por sua vez, os cristãos devem estar dispostos a vencer o seu comodismo e a alterar alguns dos seus hábitos.
Usando ainda a imagem dos pais, vejamos, agora, o problema desde uma outra perspectiva. Continuemos a imaginar uns pais (pai e mãe) que têm vários filhos que já vivem fora de casa.
Na celebração das festas familiares mais assinaladas, como o Natal, a Páscoa, o aniversário dos próprios pais, os filhos não lhes vão exigir que, nesses dias, passem pela casa de todos eles e celebrem assim a respectiva festa com cada um.
Parece mais lógico e razoável que todos se reunam em casa dos pais ou, atendendo às circunstâncias, na casa de um dos filhos. Só assim será uma verdadeira festa familiar. E cada filho deve sentir a necessidade de celebrar a festa não só com os pais, mas também com os irmãos.
Que pensar do filho que se recusa a sair de sua casa para se encontrar com os pais e os irmãos num outro lugar, ainda que se mostre disponível para os acolher em sua casa?
Do mesmo modo, que pensar dos cristãos que não aceitam sair da sua terra e ir ao encontro dos outros cristãos para aprofundar ou celebrar a sua fé, mesmo que não excluam que os outros possam vir à sua comunidade?
Não basta dizer que somos cristãos, que pertencemos à Igreja, que fazemos parte da mesma família de Deus. É indispensável corresponder às exigências inerentes a essa realidade!

c)As unidades pastorais, para poderem efectivamente funcionar como tal, precisam de suporte logístico e de meios de transporte. Com efeito, se se pretende avançar, como parece ser esse o caminho, para a catequese e outras iniciativas conjuntas, são necessárias instalações e meios adequados a esses objectivos.
Há que aproveitar, adaptando se necessário, o que já existe, como algum centro paroquial. Caso contrário, deve investir-se, com a participação e colaboração de todas as comunidades, criando as estruturas necessárias. Este será seguramente um investimento bom e com futuro!

sábado, abril 21, 2007

Domingo do Bom Pastor - Domingo das Vocações

A Jornada Eucarística coincide com o Domingo do Bom Pastor – o Dia Mundial de Oração pelas Vocações. Na mensagem para este dia, o Santo padre escreve: “O Dia mundial de Oração pelas Vocações é uma bela ocasião para vos colocar diante da importância das vocações para a vida e missão da Igreja e para intensificarmos as nossas orações para o seu crescimento em número e em qualidade”.

Deus quer precisar de homens e de mulheres que, na continuidade da missão de Jesus, colaborem com Ele na obra de salvação da humanidade. Na verdade, Deus pede a algumas pessoas (a jovens e a menos jovens) que se consagrem inteiramente ao serviço do Reino.
Vamos rezar para que o apelo e a proposta de Deus encontrem eco e as pessoas sejam generosas na resposta que dão. Além disso, cada um de nós deve também descobrir o que Deus quer da sua vida. Todos temos uma missão a cumprir e a nossa realização e felicidade dependem da fidelidade a essa missão.


PROGRAMA da VIII JORNADA EUCARISTICA
  • 15.30h – concentração no Mercado municipal e ensaio
  • 16.00h – Eucaristia, presidida pelo Senhor Bispo
    - Procissão do Santíssimo

VIII Jornada Eucarística Arciprestal (29 de Abril de 2007)

A Eucaristia – o Sacramento da Caridade

O Santo Padre, na recente Exortação Apostólica que escreveu, apresenta a Eucaristia como “o Sacramento da Caridade”. Por um lado e em primeiro lugar, a Eucaristia é o sacramento do amor de Deus pelos homens. Por outro lado e como consequência, a Eucaristia impele os homens a amar o seu semelhante, correspondendo assim ao amor de Deus.
O Papa Bento XVI começa com estas palavras: “a santíssima Eucaristia é a doação que Jesus Cristo fez de si mesmo, revelando-nos o amor infinito de Deus por cada ser humano”. Na oferta que Jesus faz da sua vida, o amor de Deus é levado até ao extremo. Deste modo, o amor de Deus vence o pecado e salva a humanidade inteira.
A Eucaristia, que Jesus instituiu durante a última Ceia, é o memorial da sua paixão, morte e ressurreição. Assim, todas as vezes que se celebra a Eucaristia é actualizado, no hoje da vida dos homens, o mistério da salvação. Em cada celebração da Eucaristia, até ao fim da história, renova-se a Páscoa de Jesus, ou seja, Jesus continua a oferecer a sua vida por todos e a todos se oferece como o Pão da vida eterna.
Na celebração da Eucaristia, o cristão encontra-se com o Senhor ressuscitado, Aquele que venceu o pecado e a morte do homem, dando assim início a um mundo novo e a uma nova humanidade.
Por sua vez, o cristão, na medida em que o é de verdade, é chamado a colaborar com Cristo na construção do mundo novo – aquele mundo que Deus, movido pelo amor e em vista da felicidade do homem, quer estabelecer na terra. Essa é uma exigência e uma obrigação que decorrem da própria participação na Eucaristia. A Eucaristia leva necessariamente ao compro-misso de vida!
O Cristão colabora com Cristo vivendo o mandamento do amor ao próximo; vivendo segundo os valores humanos, morais e espirituais do Evangelho; investindo as suas capacidades e talentos ao serviço do desenvolvimento justo e harmonioso da sociedade; indo ao encontro das necessidades dos homens, sobretudo dos mais esquecidos, partilhando com eles o que somos, a nossa vida, o nosso tempo, os nossos afectos e os nossos bens; vivendo e promovendo a unidade e a comunhão entre todos os homens; empenhando-se na edificação da paz.

A Jornada Eucarística, que este ano se realiza no dia 29 de Abril, é essencialmente o encontro dos cristãos de todas as paróquias do Arciprestado de Celorico da Beira em torno da Eucaristia.
Com esta celebração, pretende-se, por um lado, evidenciar a importância fundamental da Eucaristia na vida dos cristãos, e, por outro lado, manifestar e promover a unidade entre todas as comunidades cristãs.
Quem acredita no Senhor ressuscitado (a ressurreição de Cristo é o fundamento último da nossa fé) sente uma necessidade íntima e intensa de se encontrar com Ele, participando na Euca-ristia dominical.
Na verdade, graças a Eucaristia, nós podemos fazer, no hoje da nossa vida e da vida da nossa comunidade, a experiência da Páscoa. É o mesmo Jesus que nós podemos encontrar e acolher na nossa vida. É uma pena não aproveitarmos esta extraordinária e maravilhosa oportunidade!
Sendo assim, quem acredita efectivamente no Senhor da vida, olha e considera a participação na Eucaristia não como uma obrigação imposta de fora, mas como uma necessidade sentida por dentro. Esse até está disposto a sacrificar-se e a deslocar-se a outros lugares e comunidades para celebrar o Dia do senhor, e fá-lo de bom grado e com alegria!

Como dissemos, a Jornada Eucarística ajuda-nos a viver e a testemunhar a comunhão que deve existir entre os cristãos e as diferentes comunidades cristãs que constituem o nosso arciprestado. A Eucaristia ajuda-nos a construir essa unidade e comu-nhão, pois é “o Sacramento da Caridade”.
Gostaríamos que esta mesma unidade fosse também vivida ao nível das famílias. Nesse sentido, propomos que, na celebração da Jornada Eucarística deste ano, as famílias se apresentem como tal, ou seja, os pais, filhos e os familiares mais próximos devem ficar juntos durante a celebração. É importante viver a Eucaristia como família e compreender que esta faz parte de uma família mais alargada - a Igreja de Cristo.

Exortamos todos os cristãos (crianças, jovens e adultos) a participarem, com entusiasmo e com alegria, nesta celebração. Disponde o vosso coração e o vosso tempo. Deixai que Deus vos toque e avivai a fé que ainda existe em vós.

segunda-feira, abril 16, 2007

Menos padres, Cristãos mais comprometidos e Novas Unidades Pastorais - O novo livro do Pe. Martins

Menos Padres...
Um dos problemas que mais preocupa e afecta a Igreja é, sem dúvida alguma, a progressiva diminuição de sacerdotes.
Em arciprestados onde, há algumas décadas, trabalhavam dez ou mais sacerdotes, hoje são apenas três ou quatro. Como resultado, são muitos os sacerdotes que têm a seu cuidado seis ou mais paróquias. E as consequências que daí derivam para a acção pastoral e para a vida das comunidades são necessariamente muitas.
No entanto, do simples facto de serem menos não se pode concluir, sem mais, que os sacerdotes sejam poucos.
Não será que, em parte, os sacerdotes são poucos, porque ainda continuam a fazer muitas coisas que podem e devem ser feitas por leigos? Não estamos a falar de tarefas e responsabilidades que os leigos assumam pelo facto de os sacerdotes serem menos, mas porque são próprias da sua vocação laical!
Não será que os sacerdotes são poucos, porque queremos manter o número e o tipo de paróquias que temos?
Na realidade, temos paróquias com menos de cem habitantes! Muitas outras não ultrapassam as duas ou três centenas. E muitas dessas pessoas, embora baptizadas, não se encontram minimamente inseridas na vida da comunidade cristã, tendo com ela apenas uma relação ocasional (o casamento, o baptismo dos filhos, o funeral de algum parente ou amigo).
Depois, existem paróquias que se encontram muito próximas umas das outras ( 1,2 ou 3 Km). Porém, apesar de geograficamente vizinhas, estão muito distantes a nível eclesial. Constituem mundos à parte, como se não fizessem parte da mesma Igreja, da mesma e única família de Deus!
É claro que para manter esta situação os padres são poucos. Mas também é claro que esta situação não se deve manter!
A fé e a comunhão eclesial exigem que se empreenda uma nova reorganização das comunidades cristãs, se implemente um novo modelo de acção pastoral e se fomente um novo modo de celebrar e viver a fé.
Então, os padres já não serão tão poucos como isso!

... e paróquias a mais.
A exagerada criação de paróquias acontece em tempos de abundância de clero. Nesses tempos, e tempos houve em que os padres eram em demasia, tornava-se necessário garantir a todos um lugar (um ofício) bem como o indispensável sustento.
Assim, quando uma comunidade (ou o conjunto de pequenas comunidades) podia prover ao sustento de um sacerdote, era constituída em paróquia. E a excessiva abundância de clero permitiu e explica que até muitas famílias ricas, que tinham uma capela privada, tivessem também o seu próprio capelão!
Na paróquia, o sacerdote fazia tudo, e tinha tempo para fazer tudo, quer no que se refere à sua administração quer no que diz respeito à vida religiosa da mesma.
Neste tipo de paróquia, os leigos viviam completamente alheados da sua vocação e missão na Igreja e no mundo. Limitavam-se a assistir às celebrações religiosas e a dar o seu contributo económico para o sustento do culto e do clero.
De um modo geral, os cristãos não tinham uma fé esclarecida pela palavra de Deus. A Bíblia não estava ao alcance dos leigos. Não havia lugar para uma participação activa e consciente na liturgia. O sacerdote era o único protagonista e os leigos meros espectadores! E as implicações sociais da fé não eram tidas na devida conta.
Como tudo se passava no pequeno e fechado mundo da sua paróquia, os horizontes de pertença à Igreja eram muito restritos. Com muita dificuldade, os cristãos conseguiam ver e sentir para além da torre da igreja e das fronteiras da paróquia.
Ainda hoje, muitos cristãos têm dificuldade em compreender e viver a fé à luz da sua pertença à Igreja universal. Sentem-se amarrados aos limites da sua terra. Alguns nem sequer conseguem viver a sua fé no âmbito da comunhão paroquial. Não estão dispostos a encontrar-se com Jesus e com Deus noutros lugares e no seio de outras comunidades. Esses esquecem que a verdadeira fé vence todos os bairrismos e particularismos!

O que entretanto mudou
Felizmente, graças ao Espírito Santo, já muito mudou com o Concílio Vaticano II e a partir dele. Hoje é muito diferente e mais ajustada a visão que temos da Igreja, do ministério sacerdotal e da missão dos leigos.
Já há leigos, em quase todas as paróquias, que assumem alguma responsabilidade e exercem algum ministério. Por sua vez, os povos já compreendem e aceitam melhor que certas funções, até há pouco monopólio dos sacerdotes, sejam desempenhadas pelos leigos.
Todavia, ainda permanecem muitos sinais e efeitos da visão e mentalidade anteriores. De facto, muitos cristãos (entre os quais podemos incluir alguns padres) persistem em querer e exigir que o sacerdote faça também a parte dos leigos. Propositadamente esquecem, porque assim lhes convém, que os baptizados, pelo facto de o serem, participam da tríplice missão da Igreja (ensinar, santificar e servir).

É curioso notar que a diminuição dos sacerdotes se segue ao Concílio Vaticano II. Este dá início ao fim de uma Igreja eminentemente clerical. E uma Igreja menos clerical precisa, como é obvio, de menos padres e aproveita melhor os padres que tem!
Na verdade, à medida que os leigos assumem o papel que lhes cabe dentro da Igreja, os sacerdotes ficam mais disponíveis para aquilo que é específico da sua missão. E, nessa mesma medida, podem estender a sua acção, naquilo que lhes é próprio, a outras comunidades.
Além disso, à medida que se forem libertando os sacerdotes de certas funções burocráticas e administrativas, que não exigem o poder da ordem e que, por isso mesmo, podem ser exercidas pelos leigos, haverá mais sacerdotes disponíveis para o serviço pastoral das comunidades cristãs.
Embora seja preocupante a actual crise de vocações sacerdotais, ela seria muito mais dramática se tivéssemos de a olhar e vencer sem a luz da nova eclesiologia conciliar. Há, pois, nesta situação uma reveladora e providencial coincidência!

Depois, também é curioso notar que o início da diminuição dos sacerdotes coincide com a vulgarização do automóvel. Este facto veio permitir que um mesmo sacerdote se possa ocupar pastoralmente de várias comunidades.
Trata-se de mais uma feliz coincidência! Ou melhor, de um outro facto e sinal da providência de Deus! Na realidade, seria muito mais dramática a falta de clero sem os actuais meios de transporte que possuímos!
É evidente que, com a colaboração dos leigos e a facilidade de deslocação, o sacerdote pode chegar mais longe e a mais comunidades. Todavia, tudo tem um limite.
E há um critério para esse limite. Um critério que nos é dado por Jesus, quando se apresenta na sua missão de Bom Pastor. “Conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem-me” (Jo 10,13). O sacerdote, enquanto pastor que é, deve poder conhecer e amar aqueles que é chamado a servir em nome de Jesus.
Não basta que o sacerdote garanta o culto nas diferentes paróquias. Ele não pode descuidar ou pôr de lado a sua missão de pastor. Porém, tudo isso tem um limite. E na hora de atribuir mais paróquias, o Bispo não pode esquecer, por um lado, as reais exigências da missão do padre e, por outro lado, as suas contingências humanas.

Nos nossos dias, o automóvel vulgarizou-se de tal modo que quase todas as pessoas têm acesso a este meio de transporte. Parece lógico e é de esperar que os cristãos também o usem ao serviço da sua fé.
Os cristãos, quando acreditam de verdade, quando têm consciência da sua pertença à Igreja e quando vivem a comunhão eclesial, são capazes de se deslocar para participarem na Eucaristia ou para aprofundarem a sua fé noutras terras e com os cristãos de outras comunidades.
A fé, quando é autêntica, e a comunhão eclesial, quando é sentida, levam o cristão a vencer o comodismo e a superar o bairrismo das terras e lugares. Quando os cristãos acreditam de verdade e de verdade procuram a Deus, usam todos os meios que estão ao seu alcance para celebrarem a fé e se encontrarem com Ele.
Num tempo em que se usa o automóvel para tudo, até para ir tomar o café a cem metros de casa, porque é que não se há-de usar também ao serviço da vida cristã? Só o sacerdote é que tem a obrigação de o usar para chegar a todo lado?
Se a tua fé não te põe a caminho e não te abre a outras comunidades, não será porque ainda não acreditas verdadeiramente em Cristo nem professas a verdadeira fé da Igreja?

O decréscimo do número de sacerdotes coincide ainda com a acentuada desertificação do mundo rural, causada pela emigração, pela deslocação para os centros urbanos e pela descida da natalidade.
As paróquias têm efectivamente poucas pessoas e estas são, na sua maioria, idosas. Na realidade, são poucas as crianças e os jovens em idade escolar e de catequese. São poucos os adultos que têm formação suficiente para exercerem algum ministério no seio da comunidade. São poucas as pessoas que participam regularmente na vida da paróquia, muito concretamente na celebração da Eucaristia dominical.
Em paróquias com estas dimensões e com estas características, o sacerdote tem menos que fazer. Com efeito, são menos os grupos de catequese, os baptizados, os casamentos, as confissões, as reuniões de formação... Mas também é verdade que nestas paróquias é particularmente difícil manter um mínimo razoável de vida cristã.
Nas presentes circunstâncias, é legítimo questionar se estas comunidades podem ou não sobreviver como paróquias. E, em caso negativo, que solução poderemos propor?

quarta-feira, abril 11, 2007

Há 20 anos a viver em comunidade



"A comunidade mais do que um modelo pré-fabricado que se impõe, é um ideal de vida que se propõe". Pe. Martins

O Pe. Martins no dia de Páscoa festejou o 25º Aniversário da sua ordenação sacerdotal



No seguimento da missão dos Apóstolos, o sacerdote é chamado a ser testemunha da ressurreição de Cristo entre os seus contemporâneos.
É uma feliz coincidência celebrar os 25 anos da ordenação sacerdotal no dia de Páscoa. Esta evidencia e torna mais clara a prioridade do ministério sacerdotal.

O sacerdote é testemunha do mistério pascal de Jesus, antes de mais, quando o anuncia com convicção e alegria, deixando transparecer na sua voz, no seu rosto e na sua vida, a certeza e clarividência da sua fé (...). Depois, vivendo o seu ministério como quem espera e confia na recompensa de Deus.
O sacerdote, se o é por vocação de Deus, é seguramente um homem feliz.

Oxalá, eu me deixe iluminar e conduzir sempre por Ele, para que ele faça de mim, emtre os homens e a favor dos homens, testemunha da ressurreição de Jesus.

sábado, março 31, 2007

Casamento Vera e José

O amor é algo que se sente e experimenta
é algo que se partilha e acolhe.

Quanto mais intenso for o amor,
Quanto mais deslumbrante for o sonho
e quanto mais ambicioso for o projecto de vida,
mais consistente será o casamento
e mais fácil será viver a fidelidade e o compromisso.

Olhai para Deus, não como Alguém que se intromete na vossa vida para a complicar, mas como Alguém que deseja acompanhar-vos, para faciulitar a vossa vida.

DOMINGO DE RAMOS: “Não praticou nada que mereça a morte”.

Apesar de não ter encontrado “nele nenhum motivo de morte”, ou seja, apesar de plenamente convencido da sua inocência, Pilatos, para contentar os príncipes dos sacerdotes e os chefes do povo e para evitar que estes amotinassem o povo contra ele, condena Jesus à morte.

Aqueles que acusam Jesus bem sabem que O acusam injustamente. E aquele que O condena à morte sabe bem que Jesus está inocente. Eles bem sabem que estão a faltar à verdade e a agir contra a sua própria consciência. Mas para eles vale bem pouco a verdade e a consciência, quando estão em jogo os seus interesses e os seus direitos adquiridos.

Aqueles que pedem a sua morte, fazem-no porque:
• se sentem incomodados com Jesus, com a verdade que Ele anuncia e com o projecto de vida que ele lhes propõe;
• sentem que Jesus põe em causa as suas crenças e tradições religiosas, a sua visão de Deus e do homem, a sua visão do mundo e da sociedade, as suas certezas e seguranças humanas.

Por sua vez, Pilatos condena Jesus:
• para não ser perturbado por aqueles que se sentem ameaçados por Ele;
• para manter o poder e os seus privilégios;
• para não ter que mudar os seus horizontes e perspectivas existenciais;
• para não ter que reconhecer os seus limites e deveres diante dos direitos dos outros, o homem é capaz e chega a matar um inocente.
Neste caso, o inocente não é um homem qualquer. O inocente a quem dão a morte é o Messias, o Filho de Deus.

No entanto, na hora daquela cegueira humana, houve um homem, conhecido como o bom ladrão, que reconheceu e testemunhou em favor da inocência de Jesus: “Ele nada praticou de condenável”. A intuição e a confissão deste homem (sinal da sua conversão e do seu arrependimento) valem-lhe, à última hora, a sua salvação. Na verdade, Jesus garante-lhe: “Hoje estarás comigo no Paraíso”.

O Domingo de Ramos e da Paixão, nos dois episódios que evoca e celebra, revela bem a flagrante contradição do ser humano.

Na sua entrada em Jerusalém, uma multidão ruidosa e entusiasta aclama Jesus como o descendente de David, Aquele que vem em nome do Senhor. Alguns dias mais tarde, também uma multidão ruidosa, manipulada pelos seus chefes religiosos, exige de Pilatos a crucifixão e a morte de Jesus.

Quiseram Jesus, andaram com Ele e estiveram ao seu lado, quando:
• Jesus lhes matou a fome, multiplicando os pães;
• Jesus lhes contava parábolas e proferia discursos que lhes agradavam;
• realizava milagres e obras extraordinárias;
• iludidos, pensaram que Jesus viria libertar o povo de Israel do domínio romano.

Porém, na hora da verdade, na hora em que eles deviam tomar partido pela verdade, na hora em que deviam testemunhar a seu favor, quase todos O abandonaram ou depuseram contra Ele. Nessa hora, a hora decisiva da sua missão, Jesus sentiu, mais do que qualquer outra, a dor da incompreensão e da ingratidão dos homens. Muitos seguiram Jesus e andaram com Ele, mas não chegaram a acreditar nele, não O reconheceram nem O acolheram como Aquele que Deus enviou para os salvar.

E nós, de que lado estamos? Estamos dispostos a aceitar Jesus na sua verdadeira identidade, a aderir à verdade que Ele nos ensina e a abraçar o projecto de vida que Ele nos propõe? Ou também O rejeitamos, condenamos e esquecemos, quando e naquilo que o seu Evangelho nos incomoda, exigindo uma mudança profunda na nossa vida?

• Se não queremos ou não consentimos que Jesus mude a nossa vida, damos a entender que não queremos que Ele nos salve (não queremos Jesus para nos salvar);
• se não aceitamos a verdade de Jesus, quando ela nos dói, é porque ainda não acreditamos verdadeiramente nele;
• se só o seguimos quando nos convém, então não somos seus verdadeiros discípulos. Usamos o seu nome, mas não sentimos que lhe pertencemos.

No entanto, nós pertencemos ao Senhor. Ele adquiriu-nos com o preço do seu sangue, resgatou-nos com o preço da sua vida. E Jesus não deu a sua vida para ficar tudo na mesma. Não há salvação onde e naqueles em que tudo fica na mesma.

A salvação só acontece em nós, se nos deixarmos cativar e seduzir, transformar e renovar, iluminar e conduzir por Jesus, fazendo dele o Caminho e a Verdade da nossa vida. Tudo o resto (poderá não ser simpático dizê-lo nem agradável ouvi-lo) é pura perda de tempo, é tornar inútil a morte de Cristo.

quarta-feira, março 28, 2007

Domingo de Ramos



BÊNÇÃO DOS RAMOS e EUCARISTIA
10. 00 h

A minha Semana Santa

Olá amigo! Ponho-me de novo em contacto contigo. Já notaste que me agrada comunicar-me. Terás notado que durante a minha vida terrena eu nunca escrevi nada. É verdade que frequentei a escola, onde aprendi a ler e escrever. Escrevi até muitos pergaminhos sobre textos sagrados.

Mas nada disso se conservou. Durante a minha vida pública gostava de falar e de falar muito, porque já sabes que sou o Verbo, a Palavra do Pai. E os meus discípulos já se encarregaram de escrever parte do que eu disse e fiz, e isso podes encontrá-lo nos Evangelhos. Só uma vez, quando queriam apedrejar uma pobre mulher, surpreendida em adultério, diante da gritaria daquelas pessoas e das perguntas maldosas, inclinei-me e escrevi umas palavras no chão.

Foi apenas um sinal, uma mensagem de amor. Mas logo se apagaram com o pisar das pessoas. Pelos menos parece que ficaram gravadas nos seus corações, pois não fizeram nada contra aquela pobre mulher. Somos muito duros na hora de julgar, e custa-nos muito perdoar.


Hoje desejaria fala-te da MINHA SEMANA SANTA.

Sim, esta semana podemos considerá-la mais minha que as outras, já que vou celebrar com os meus amigos acontecimentos muito importantes da minha vida e de todos os que me seguem. Nesses dias, em quase todos os povos, levam-me para as ruas com uma imensa variedade de imagens. Vou ocupar, infelizmente, o centro de muitos olhares, vou ser o protagonista.

A mesma coisa que aconteceu naquela semana da minha Paixão e Morte. Também fui o centro de muitos olhares. Alguns partilharam comigo certos acontecimentos, não todos. Outros apenas contemplavam-me calados. Outros planiavam o modo de me eliminar. A massa, desconcertada, deixou-se levar pelos de sempre. Realmente foi uma semana de alegrias e de dores profundas. Entrei alegre em Jerusalém, a cidade sagrada, e acompanhava-me uma grande multidão com palmas e ramos de oliveira. Celebrei a Última Ceia com meus Apóstolos num ambiente íntimo, profundo, tenso... Falei muito de amor, de fraternidade, de unidade.

- Ali fiz a minha maior loucura de amor: o milagre da Eucaristia dando aos sacerdotes o poder de consagrar para estar sempre convosco.

- Ali quis dar uma lição concreta de humildade e serviço, lavando os pés aos meus amigos.

-Ali insisti muito que o mandamento principal do cristão, do filho de Deus é o amor...

- E ali provei a dor profunda da traição de um dos meus.


Assim são as coisas humanas. E assim é o respeito que meu Pai e Eu temos pela liberdade dos homens.

Veio aquela dramática oração no Jardim das Oliveiras... E tudo o que tu já sabes. Já podes imaginar a dor moral e física para um Coração que só queria amar o homem e salvá-lo do pecado. E o homem, os homens, não aceitaram os planos de Deus. Nesta semana santa, vamos recordar outra vez todos aqueles acontecimentos, mas desejaria que os recordasses com um sentimento de gratidão à Vontade do Pai. Não se trata de que me exibam em cruzes e cenas comoventes para provocar sentimentalismo.

Desejaria que a Semana Santa servisse para compreender a gravidade do Pecado, o estrago que faz no homem, e o que supõe de ofensa ao Plano de Deus. Foi precisamente o pecado que provocou tudo o que nestes dias vamos recordar e celebrar. Mas, eu dir-te-ia mais, que desejaria que esta semana santa servisse também para compreender como é grande a misericórdia de Deus. O muito que amamos o homem, a nossa imagem.

Sim, grava bem no teu coração: tudo o que eu fiz, isso que se vai recordar tantas vezes pelas ruas e praças nestes dias, foi por ti, e por todos. Pelos que me conhecem e me traem, e pelos que não têm a mínima ideia de quem sou eu. Não me importa. Eu amo-os a todos. Eu quero-os a todos. Não gostaria de servir de espectáculo para que nestes dias se divirtam os que não pensam como eu, os que não se recordam nunca de mim.

Eu te escrevo para te pedir uma coisa: se queres de verdade dar-me uma alegria, ajuda-me a levar a cruz pesada dos pecados e aberrações que hoje se cometem impunemente, e que estão destruindo a pessoa humana.

Dói-me, mas vamos conquistar o coração dos que andae afastados, dos que olham indiferentes, dos que se divertem, dos que riem, dos que negoceiam... Eu quero consolar e agradecer os sentimentos bons daqueles que sabem valorizar o que o Pai, o Filho e o Espírito Santo fazem para servi-los e ajudá-los a serem melhores.

Desejaria que esta Semana Santa fosse de verdade Santa. Vem junto de mim, ao meu lado e vamos percorrer juntos o caminho do Calvário. Depois ver-nos-emos na Ressurreição para juntos nos alegrarmos. Um abraço. Não me abandones.

- O teu amigo JESUS.

sábado, março 24, 2007

S. Paulo está disposto a participar nos sofrimentos de Cristo e a identificar-se totalmente com Ele.

S. Paulo partilha connosco a sua paixão por Cristo e o seu entusiasmo diante da ressurreição dos mortos. Depois de se ter encontrado com Ele no caminho de Damasco e de ter interiorizado e aprofundado esse encontro no deserto da Arábia, Paulo considera Cristo como o bem supremo da sua vida e mostra-se disposto a fazer tudo para alcançar a meta da vida eterna.
Quando confronta com Cristo o seu passado, as suas convicções e as suas crenças, o que sonhou e o que fez, Paulo considera tudo como lixo e inútil. Mais, está disposto a participar nos sofrimentos de Cristo e a identificar-se totalmente com Ele.


O conhecimento de Cristo e do seu Evangelho marcam um novo nascimento para Paulo (o começo de um novo tempo e de uma nova vida. Cristo passa a fazer parte do seu viver, passa a viver nele). Paulo chega a afirmar: “já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim”.
Assim, não admira que aquele que, antes, era um faná-tico perseguidor dos cristãos passe a ser o mais entusiasta, convincente e corajoso apóstolo de Jesus. Na verdade, Paulo vive como servo de Cristo, totalmente dedicado ao anúncio do Evangelho. Anuncia o Evangelho que vive, dando a conhecer Cristo que vive nele. Deste modo, Paulo espera chegar ao fim do caminho, atingir a meta e receber o prémio que Deus dá aos que seguem Jesus e lhe são fiéis.

Como pecadores que somos, sem que ninguém nos leve e nos acuse, devemos comparecer, livremente e com confiança, diante de Jesus, implorando e acolhendo a graça do seu perdão.

Jesus:

  • não vai fixar-se nos nossos pecados, mas vai olhar, sobretudo, para o nosso coração;
  • não vai prestar atenção ao que os outros dizem de nós ou contra nós, mas vai querer ouvir o nosso silêncio interior;

  • o que mais lhe interessa não é ouvir da nossa boca a enumeração das nossas faltas mas ver e ter a certeza do nosso arrependimento;

  • não vai memorizar o nosso passado mas, antes, garantir-nos um futuro diferente.

Para que o encontro com Jesus aconteça e seja salvífico para nós, é indispensável reconhecer os nossos pecados. E pecado é:

  • antes de mais, não conhecer, por comodismo e desinteresse, Jesus Cristo e o seu Evangelho;
  • não se deixar seduzir por Ele e pelo projecto do Reino de Deus que Ele nos propõe;
  • não vibrar diante da ressurreição de Cristo e não aspirar às coisas do Alto;
  • não investir a nossa vida e os nossos talento na construção de um mundo segundo os valores das Bem-aventuranças;

  • não aceitar Jesus como o Caminho da vida e não ter como meta a eternidade de Deus.

Estes são pecados que nós não confessamos, mas são estes que estão na origem de todos os outros. Por conseguinte, devemos apresentar-nos diante de Jesus não apenas para lhe implorar, de modo rotineiro e descomprometido, o perdão pelos nossos pensamentos, palavras e actos incorrectos e injustos. Devemos também estar dispostos a escutar Jesus para O conhecermos melhor e a aceitar ser seduzidos, iluminados e conduzidos por Ele.

domingo, março 18, 2007

É neste Deus que nós acreditamos...

O jovem filho pensa e convence-se de que será mais livre e mais feliz vivendo longe do pai e do irmão. Quer assumir sozinho a sua vida, sem ser limitado pelo pai ou condicionado pelo irmão.
Ele quer viver sem depender do pai, sem princípios e valores morais, sem ter que ouvir a voz da verdade e do bem que o pai representa. Também quer viver sem o irmão, isto é, sem ter de reconhecer os direitos do irmão e, consequentemente, assumir os respectivos deveres para com ele.
A tentação do homem que quer viver sem depender de Deus, isto é, sem verdade, sem honestidade e sem coerência; e quer viver sem estar condicionado pelos direitos dos outros. Não quer aceitar e amar Deus como Pai nem está disposto a aceitar e a respeitar os outros como irmãos.

O jovem acaba por encontrar precisamente o contrário do que esperava. A riqueza usada sem critérios leva o homem à miséria (começou a passar privações); a liberdade vivida sem princípios morais leva à perda da própria liberdade (entrou ao serviço de um habitante da região); o jovem perde os bens, perde a liberdade e perde a dignidade (simbolizada no guardar os porcos); cai na mais degradante miséria (nem sequer pode comer das alfarrobas que os porcos comiam). A liberdade sem Deus e sem os irmãos, uma liberdade sem princípios e valores morais, uma liberdade sem verdade e sem amor, conduz à pior forma de escravidão (o homem é vítima de si mesmo, é o único responsável pela sua escravidão).

O pecado não afecta apenas o próprio. Ele afecta tamém o pai (Deus). O Pai que, com tristeza e dor, vê partir o filho, e, com angústia e inquietação, espera o seu regresso. O pecado afecta ainda o irmão e as relações entre os irmãos. O irmão mais velho não compreende nem aceita o comportamento do irmão mais novo e alteram-se pró-fundamente as relações entre eles. São as implicações sociais do pecado do homem.

Caindo em si. O jovem acorda para a realidade e dá-se conta de que se deixou enganar (ou melhor, se enganou a si mesmo). Descobre as contradições das suas opções e, ao mesmo tempo, descobre as vantagens de viver em comunhão com o pai. A bondade do pai inspira-o e motiva-o a regressar para ele, disposto a recomeçar uma vida nova. Só com verdade e com amor, só vivendo com o Pai e com os irmãos o homem pode ser livre e feliz.
A importância e a necessidade de o homem fechar os olhos e de olhar para dentro a fim de se examinar a si mesmo. Com os olhos abertos, o homem só vê os outros. Com os olhos fechados, olhando para dentro, homem vê-se e conhece-se a si mesmo.
  • Ignorante é o homem que não se conhece a si mesmo;
  • covarde é aquele que foge de si e não se assume como é;
  • medíocre é aquele que se contenta com o que é e não deseja ser melhor;
  • cego é o homem que não tem ideais;
  • morto-vivo é aquele que permanece caído só para não ter o trabalho de se levantar do chão.

O Pai, porque ama o filho e nunca o deixou de amar, aguarda o seu regresso sem rancor; quando o filho volta corre ao seu encontro sem esperar, muito menos exigir, o pedido de desculpas; quando chega junto dele, o pai abraço-o e acolhe-o como filho e não como um simples trabalhador.

O milagre do amor de Deus consiste em restituir a dignidade de filho ao homem pecador, mesmo ao maior pecador. Deus trata sempre os homens como filhos e nunca como servos, muito menos como escravos.
Quem não se sentirá fascinado por um Deus assim?
Quem não concordará que este é o único Deus que convém ao homem?

A contradição daqueles que pensam e se convencem de que sem Deus e sem a lei de Deus podem ser mais livres e mais felizes. Aqueles que procuram a sua felicidade na droga, alcool e numa vida desregrada. A realidade mostra como eles se enganam e somos todos a sofrer as suas consequências.
E a contradição daqueles que invocam o nome de Deus para fomentar e justificar o ódio, a destruição e a morte, como acontece no terrorismo islâmico. Como podem matar em nome de Deus, quando Deus é o Senhor da vida e ordena ao homem: ”Não matarás”? Como podem incentivar ao ódio em nome de Deus, quando esse mesmo Deus propõe aos homens: “Amai os vossos inimigos”?

O homem todo o homem precisa de Deus. Quando Deus é excluído da vida dos indivíduos e da vida da sociedade, ou quando se servem de Deus para oprimir e explorar os homens, o mundo envereda pelo caminho da destruição e da morte.
Porém, Deus, o Deus verdadeiro, o único Deus que existe, é o Deus do amor e o Deus da liberdade, é o Deus que está sempre do lado da vida, o Deus que ama os homens como filhos, que respeita sempre a sua liberdade e que intervém sempre em favor da sua dignidade.
É neste Deus que nós acreditamos, pois Creio em um só Deus….

quarta-feira, março 14, 2007

HORÁRIOS



Dia 17 - EUCARISTIA - 19.00 h
OBS: A Santa Unção vai ser administrada comunitáriamente no dia 17 de Março.

terça-feira, março 13, 2007

sexta-feira, março 09, 2007

A confissão

Sabemos que há por parte de muitos cristãos uma grande dificuldade de se reconhecer pecador. Pelo menos perante os outros. O que é certo é que Jesus falou muitas vezes na necessidade dos seus ouvintes se arrependerem e deixarem o pecado. Se não – ouvimos no Evangelho do próximo Domingo – morrereis todos de maneira semelhante, isto é, em pecado.


S. João Evangelista escreve na sua primeira carta, que faz parte do Novo Testamento, o seguinte:
"Se dissermos que não temos pecados, somos mentirosos e enganamo-nos a nós mesmos. Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar e purificar de toda a iniquidade".

Cristo exerceu, durante a Sua vida pública, o poder de perdoar os pecados e deu esse poder aos Apóstolos: "Àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados, a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos".

No entanto, há hoje por parte de muitos cristãos uma rejeição da confissão.
  • Ora a confissão dos pecados (acusação), mesmo do ponto de vista simplesmente humano, liberta-nos e facilita nossa reconciliação com os outros.
  • Pela acusação, o homem encara de frente os pecados dos quais se tornou culpado: assume a responsabilidade deles e, assim, abre-se de novo a Deus e à comunhão da Igreja, a fim de tornar possível um futuro novo.
  • A declaração dos pecados ao sacerdote constitui uma parte essencial do sacramento da penitência: "os penitentes devem, na confissão, enumerar todos os pecados mortais de que têm consciência depois de examinar-se seriamente, mesmo que esses pecados sejam muito secretos e tenham sido cometidos somente contra os dois últimos preceitos do decálogo, pois às vezes esses pecados ferem gravemente a alma e são mais prejudiciais do que os outros que foram cometidos à vista e conhecimento de todos". (Catecismo nº. 1455, 1456).

O Novo Testamento diz-nos que, quando João Baptista estava a baptizar no rio Jordão, vinham pessoas de todos os lados e de todas as classes e confessavam publicamente os seus pecados.

Nos termos da doutrina da Igreja "a confissão individual e íntegra e a absolvição constituem o único modo ordinário pelo qual o fiel, consciente de pecado grave, se reconcilia com Deus e com a Igreja" (D. C. – cânone 961 § 1)

domingo, março 04, 2007

"Olha para o Céu...", porque "a nossa pátria está nos Céus".

A partir de Cristo e na medida em que acreditamos nele, podemos de novo olhar para o alto, sonhar com a pátria que está nos Céus e acreditar no futuro.

A fé em Cristo ajuda o homem, não só a descobrir o caminho que deve percorrer para chegar à meta querida e proposta por Deus, como tb lhe dá a força necessária para enfrentar todas as dificuldades e todos os obstáculos da caminhada.
Mais ainda, a fé em Cristo ajuda o homem a descobrir e a aceitar a morte como uma etapa necessária para chegar à pátria celeste. Porque acreditamos na pátria que está no Céus, diante do pensamento da morte e da morte daqueles que partem antes de nós, não perdemos a esperança nem deixamos de sonhar a pátria do futuro.
Graças à fé, quando experimentamos a realidade da morte na morte daqueles que nos são mais próximos ou en-frentamos o pensamento da nossa própria morte, não perde-mos a vontade de viver nem o sentido da vida. Mesmo nessas circunstâncias, não cedemos à tentação de olhar para trás ou de nos prendermos ao passado e às suas recordações. Pelo contrário, continuamos a olhar para o alto, a caminhar em frente e a sonhar o futuro.

Quem acredita em Deus tem sempre motivos para olhar e caminhar em frente, porque o nosso Deus é o Deus do futuro.

Para quem crê, o futuro não é uma ilusão, mas a sua grande certeza. Não podemos agarrar o passado nem podemos impedir que o presente deixe de ser presente e se transforme em passado. Só temos a garantia do futuro. E o nosso futuro é a pátria que está nos Céus, onde viveremos eternamente na eternidade do amor de Deus. E é uma eternidade que não cansa, precisamente porque o amor criador e criativo de Deus nos surpreenderá em cada instante.


Se Deus criou um mundo tão belo para o homem viver por tão breve tempo, como não será extraordina-riamente belo o mundo que Deus criou para o homem viver com Ele eternamente?! Por isso mesmo, não desistimos de olhar para o Céu e de percorrer o caminho indicado por Jesus para chegar até lá.

domingo, fevereiro 25, 2007

Como viver a Quaresma

1. Arrependendo-me dos meus pecados e confesso-me. É preciso reconhecer que ofendi a Deus e manifestar-lhe o arrependimento. Este é um bom momento do ano para realizar uma confissão bem preparada e do fundo do coração. Confronte a sua vida com os mandamentos de Deus e da Igreja para poder fazer uma boa confissão. Sirva-se de um livro para estruturar a sua confissão. Busque tempo para realizá-la.


2. Lutando para mudar: Analise a sua conduta para conhecer no que têm falhado. Faça propósitos para cumprir dia a dia e revise à noite se os alcançou. Lembre-se de não colocar muitos propósitos porque será muito difícil cumpri-los todos . As escadas sobem-se de degrau em degrau, não se podem subir todas de uma só vez. Conheça qual é o seu defeito dominante e faça um plano para lutar contra ele. O seu plano deve ser realista, práctico e concreto para poder cumpri-lo.




3. Fazer sacrificios: A palavra sacrifício vem do latim sacrum-facere, significa "tornar sagrado". Então, fazer um sacrifício é fazer alguma coisa sagrada, quer dizer, oferecê-la por amor a Deus, porque o ama, coisas que dão trabalho. Por exemplo, ser amável com um vizinho com quem você não simpatiza ou ajudar alguém em seu trabalho. A cada um de nós há algo que nos custa fazer na vida de todos os dias. Se oferecemos isto a Deus por amor, estamo a fazer sacrifício.




4. Oração: Aproveite estes dias para rezar, para conversar com Deus, para dizer-lhe que O ama e que quer estar com Ele. Pode ser útil um bom livro de meditação para Quaresma. Pode ler na Bíblia passagens relacionadas com a quaresma.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Dez símbolos da Quaresma

A quaresma começa, precisamente, com um símbolo bem conhecido e consolidado: a Cinza, que nos lembra a condição efemera da vida e o seu destino: a eternidade de Deus. A Cinza de cada ano, recorda também a árvore da Cruz Ressuscitada da Vigília Pascal do ano anterior.

1. A quaresma é DESERTO. É aridez, solidão, jejum, austeridade, rigor, esforço, penitência, perigo, tentação.

2. A quaresma é PERDÃO. As histórias bíblicas de Jonas e de Nínive e a parábola do filho pródigo são bons exemplos para meditarmos nele.

3. A quaresma é ENCONTRO, é abraço de reconciliação como na parábola do filho pródigo ou na conversão de Zaqueu ou no diálogo de Jesus Cristo com a mulher adúltera.

4. A quaresma é LUZ, como se põe em evidência, por exemplo, no evangelho do cego de nascença. É a passagem das trevas para a luz. Jesus Cristo é a luz do mundo.

5. A quaresma é SAÚDE, símbolo manifestado nos textos como na cura do paralítico ou do filho do centurião.

6. A quaresma é AGUA. É a passagem da sede de nossa insatisfação para a água viva, a água de Moisés ao povo de Israel no deserto ou de Jesus à mulher samaritana.

7. A quaresma é superação vitoriosa das provas e das dificuldades. É LIBERTAÇÃO, TRIUNFO. Algumas figuras bíblicas, que sofrem graves perigos e vencem na prova: José, filho de Jacob, a casta Suzana, Ester, o profeta Jeremias e, sobretudo, Jesus, tentado e transfigurado.

8. A quaresma é CRUZ. Sinal e presença permanente durante toda a quaresma. Prefigurada no Antigo Testamento e manifestada com o exemplo de Jesus Cristo e com o seu convite de carregá-la como condição para o seguimento.

9. A quaresma é TRANSFIGURAÇÃO. É a luz definitiva do caminho quaresmal, preanunciada e vivida na cena da transfiguração de Jesus. Pela cruz para a luz".

10. A quaresma é o esforço para retirar o fermento velho e incorporar o FERMENTO DA PÁSCOA RESSUSCITADA E RESSUSCITADORA, agora e para sempre.

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Inscritos:146
Votantes: 66 - 45,21%
Abstenções: 80 - 54,79%
Nulos: 1 - 1,52%


Votação na Freg: Velosa
SIM: 27 - 41.54%
NÃO: 38 - 58.46%

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Sabia que...

A protecção da vida intra-uterina não deriva de uma crença, de um mito, ou de um princípio de fé, embora possa também envolver tudo isso.
O avanço da técnica permite saber, com razoável certeza, o que se passa dentro da mulher, e quando é que uma vida, diferente da sua, começa. Não vale assim a pena invocar a autoridade de prelados e santos, meritórios e eloquentes, que viveram muito antes de se poder sequer suspeitar como funciona o mistério.

Nuno Rogeiro no JN

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Desde 1998 não ficou tudo na mesma

O Sim voltou a insistir na ideia, já usada em 1998, de que com o Não fica tudo na mesma.


Acontece que desde 1998, em que o Não ganhou, não ficou tudo na mesma:
  • Muitas associações foram fundadas (em muitos casos por apoiantes do Não) e muitas associações ajudaram milhares de mães em situações de gravidez dramática.

  • Foram propostas, e recusadas, alternativas legais que, concorde-se ou não, permitiriam uma verdadeira despenalização, em vez da liberalização.

  • Apesar da limitada intervenção do estado, houve muito mais informação sobre planeamento familiar e prevenção.

  • Não voltaram a ser presas mulheres por aborto. Nem uma.

  • Não há registo de qualquer morte por aborto. Curioso aliás como o DN ontem teve que ir buscar um caso de complicações por aborto clandestino em 1967 e hoje a Visão nos apresenta como capa dramática um caso de 1998 (antes do anterior referendo) e menciona apenas outro caso de 2000 onde a autópsia efectuada não encontrou relação causa-efeito com o processo de aborto.

Claramente não ficou tudo na mesma e claramente não vai ficar tudo na mesma (http://www.caritas.pt/guarda/ - "Nascer" - Centro de Apoio à Vida).

O Não permite continuar a trabalhar todos os aspectos de prevenção do aborto.

O Sim limita-se a deixar de considerar que o problema é um problema (porque legal e livre), libertando a consciência da sociedade da pressão que sente para tratar estas questões.

É preciso, também por isto, votar Não

Pedro Geada

sábado, fevereiro 03, 2007

Os jovens da Guarda cantam pela Vida

Somos pela vida, não somos contra ninguém!

Se podemos salvar todas as vidas,
Não é justo eliminar a vida de ninguém!


A modernidade de um país
Não está em legalizar o aborto,
Mas em garantir todas as condições
Para que nenhuma mulher precise de recorrer a ele.

Decidir sobre a vida
É uma questão de consciência.
A nossa opção no referendo revelará
A consciência que temos sobre a vida,
Sobre o seu valor e a sua dignidade!

O sim defende a vida da mulher,
Mas não defende o bem da mulher.
A legalização não evitará o drama e as perturbações
Psicológicas, afectivas e espirituais
Que o aborto sempre provoca na mulher
E que se prolongam pela sua vida fora.

Não deixe fazer do referendo uma questão partidária.
Pior do que votar contra a indicação do seu partido
É votar contra a sua própria consciência!



A sua consciência
vale mais do que a cor do seu partido!


Votar NÃO é estar do lado da vida, de todas as vidas,
Da vida da mulher e da vida do filho.

Votar NÃO é exigir um compromisso mais sério
Dos cidadãos e do Estado em favor das mulheres e da vida.






A vida humana, desde a sua concepção,
É um dom e uma maravilha!
Deixe-se maravilhar pela vida!
Opte pela vida e olhe o futuro.





Se quer dizer sim à vida, vote NÃO.



ARCIPRESTADO DE CELORICO DA BEIRA

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

E quantas “Susaninhas” serão impedidas de nascer!!!

Marília Ferreira, professora do Ensino Básico
"Quando a minha mãe estava grávida da minha irmã mais nova (o sexto filho), uma senhora compadeceu-se da situação e disse que, se vivêssemos “lá” (em Lisboa), onde era tudo mais evoluído e o acesso ao aborto muito mais fácil, aquela criança nunca nasceria. É claro que a minha mãe ficou chocadíssima, porque, apesar da minha irmã não ter sido planeada, foi amada desde o dia em que soubemos da sua existência.Quando surgiu a questão do referendo, reflecti sobre este episódio real e percebi que, se o aborto for despenalizado, a sua prática transformar-se-á num acto corrente, sem a consciência de que é já uma vida que está em jogo.…
E quantas “Susaninhas” serão impedidas de nascer!!!
Por isso, voto NÃO!
NÃO à inconsciência;
NÃO à inversão de valores;
NÃO ao egoísmo."